Crise de Quarto Ano
Finalmente, Quarto Ano.
A faculdade foi bem difícil até aqui. Algumas brigas, algumas amizades, vários problemas. Até agora, várias soluções.
Conhecimento é poder, dizem. Pois bem, conhecimento não é algo que esteja faltando ultimamente. Uma palavra difícil, uma definição, bastam dois ou três cliques e o Google responde. Uma duvida mais teórica, onde apenas uma passada de olhos não resolve, e temos gigantes como a Wikipedia nos respondendo desde matemática computacional para simulações de redes neurais, até linguistica aplicada às particularidades da tribo dos pirahãs. Céus, temos bibliotecas de Video, Som, Imagem, Texto, e tudo mais que se pode imaginar, amplamente acessíveis e gratuitas, espalhadas por toda a rede. E, mesmo assim, sinto que conhecimento não parece me dar nenhum poder.
Escrevo em vários alfabetos além do nosso latino. Cirilico, Tengwar, Katakana, Hiragana... sem saber uma palavra desses idiomas. Sei ler Braile sem ser cego, sei contar, sem preparo, a história dos alfabetos mais importantes do mundo com detalhes suficientes para manter algum assunto com os interessados. Mas, ainda sim, não sei uma palavra desses idiomas. Meu inglês veio de minha necessidade de sobreviver na Internet, não de cursos. Mas meus alfabeto vieram do meu prazer pela linguagem escrita.
Sou músico amador. Quando criança, aprendi a tocar músicas ao piano, decorando seu som. Não havia estudado - era apenas uma criança curiosa que impressionou um bando de parentes ao tocar duas mãos de 'Blue Moon' sem sequer saber o que era um "Fá Sustenido". Num curso de teclado que fiz, não durei dois meses. Eu não conseguia me focar o suficiente para aprender métodos e teoria complicada - eu queria apenas criar o som, não queria me tornar um instrumentista. Hoje, toco contra-baixo. Desejo tardio, que se provou uma paixão satisfatória. Não demonstro interesse exacerbado nem rigor no assunto. Quando quero tocar, toco, e me divirto. Sei tirar músicas de ouvido, mas não sei o suficiente para tocar um instrumento de maneira prazerosa aos ouvintes.
Lutei Karate 7 anos. Aprendi dúzias e dúzias de contos zen-budistas, mergulhei numa belíssima filosofia oriental, e dominei meu corpo e minha mente. Fiz Aikido, e compreendi a sabedoria da ausência de conflito. Agradeço a meus Senseis, por suas mensagens de vida. Mas não consegui seguir. E sinto por isso hoje. Tento compensar, fazendo academia, mas sinto que preferiria estar lutando. Pelo menos, lutaria por mim.
Sei de história, desde os babilônicos até a guerra fria. Conheço os imperadores, os reais, os ditadores. Sou fã declarado de Gengis Khan, Alexandre Magno, Julio César e mais meia dúzia de generais invencíveis de seu tempo. Acredito que nossos erros passados são repetidos com freqüência, porque ninguém presta atenção na história. Mas, mesmo assim, nunca segui essa paixão de minha vida. Sinto-me frustrado as vezes.
Sou um completo imbecil no que se trata de relações. Nunca consegui me manter com menina alguma, e a maior parte de meus colegas tem algum tipo de visão deturpada de mim. Sempre pareço bravo e sério de mais, ou então infantil e brincalhão de mais, mas nunca pareço suficientemente acessível para que as pessoas sintam vontade de se aproximar de mim. Isso me isolou, e eu aprendi a viver nesse mundo triste. Mas sinto saudades de uma vida que nunca vivi.
Sei também dos movimentos políticos. Sei que pensadores influenciaram que revoluções, e sei que inimigos se aliaram ou se destruíram. Entendo por que os subsídios serão mantidos, por que os ricos brasileiros não são presos, por que a poluição vai destruir o mundo. Mas não concordo. Me frustro em pensar que tudo poderia ser diferente, e passo minutos pensando em soluções simples, que envolveriam apenas um pouco de humanidade.
Sou um homem renascentista, que sabe sobre muito. Não tenho medo de aprender, de buscar, de entender, de desvendar. Mesmo quando o problema não pode ser solucionado, não me canso em passar horas pensando em como amenizar suas desvantagens. Sinto um certo prazer ao resolver coisas complicadas, como se, de alguma forma, meu mérito intelectual se fizesse valer, mesmo que de forma pessoal.
Assim, sou uma pessoa cheia de conhecimento. Além disso, sou exímio usuário dos portais de busca e de distribuição de informação. Não sou nenhum gênio, mas tenho conhecimento suficiente para me destacar em meu curso. As vezes, me sinto como um dos poucos a entender com o que cada aluno de minha turma trabalha, e me sinto um dos poucos a poder discutir assuntos variados e não relacionados.
Mas, ainda sim, me sinto sem poder nenhum.
Aqueles que tem poder, tem conhecimento. Aqueles que tem conhecimento, no entanto, não necessariamente tem poder.
Saio me sentindo um tolo. Minhas qualificações não se escrevem em currículos (há, que tipo de empresa contrataria uma pessoa que sabe sobre todas as coisas, mas por ser autodidata, não é considerado qualificado?), e minhas aspirações não interessam aos outros. Saio como um medíocre universalista que não consegue ter uma ideia de como vai se manter no mercado de trabalho.
A faculdade foi bem difícil até aqui. Algumas brigas, algumas amizades, vários problemas. Até agora, várias soluções.
Conhecimento é poder, dizem. Pois bem, conhecimento não é algo que esteja faltando ultimamente. Uma palavra difícil, uma definição, bastam dois ou três cliques e o Google responde. Uma duvida mais teórica, onde apenas uma passada de olhos não resolve, e temos gigantes como a Wikipedia nos respondendo desde matemática computacional para simulações de redes neurais, até linguistica aplicada às particularidades da tribo dos pirahãs. Céus, temos bibliotecas de Video, Som, Imagem, Texto, e tudo mais que se pode imaginar, amplamente acessíveis e gratuitas, espalhadas por toda a rede. E, mesmo assim, sinto que conhecimento não parece me dar nenhum poder.
Escrevo em vários alfabetos além do nosso latino. Cirilico, Tengwar, Katakana, Hiragana... sem saber uma palavra desses idiomas. Sei ler Braile sem ser cego, sei contar, sem preparo, a história dos alfabetos mais importantes do mundo com detalhes suficientes para manter algum assunto com os interessados. Mas, ainda sim, não sei uma palavra desses idiomas. Meu inglês veio de minha necessidade de sobreviver na Internet, não de cursos. Mas meus alfabeto vieram do meu prazer pela linguagem escrita.
Sou músico amador. Quando criança, aprendi a tocar músicas ao piano, decorando seu som. Não havia estudado - era apenas uma criança curiosa que impressionou um bando de parentes ao tocar duas mãos de 'Blue Moon' sem sequer saber o que era um "Fá Sustenido". Num curso de teclado que fiz, não durei dois meses. Eu não conseguia me focar o suficiente para aprender métodos e teoria complicada - eu queria apenas criar o som, não queria me tornar um instrumentista. Hoje, toco contra-baixo. Desejo tardio, que se provou uma paixão satisfatória. Não demonstro interesse exacerbado nem rigor no assunto. Quando quero tocar, toco, e me divirto. Sei tirar músicas de ouvido, mas não sei o suficiente para tocar um instrumento de maneira prazerosa aos ouvintes.
Lutei Karate 7 anos. Aprendi dúzias e dúzias de contos zen-budistas, mergulhei numa belíssima filosofia oriental, e dominei meu corpo e minha mente. Fiz Aikido, e compreendi a sabedoria da ausência de conflito. Agradeço a meus Senseis, por suas mensagens de vida. Mas não consegui seguir. E sinto por isso hoje. Tento compensar, fazendo academia, mas sinto que preferiria estar lutando. Pelo menos, lutaria por mim.
Sei de história, desde os babilônicos até a guerra fria. Conheço os imperadores, os reais, os ditadores. Sou fã declarado de Gengis Khan, Alexandre Magno, Julio César e mais meia dúzia de generais invencíveis de seu tempo. Acredito que nossos erros passados são repetidos com freqüência, porque ninguém presta atenção na história. Mas, mesmo assim, nunca segui essa paixão de minha vida. Sinto-me frustrado as vezes.
Sou um completo imbecil no que se trata de relações. Nunca consegui me manter com menina alguma, e a maior parte de meus colegas tem algum tipo de visão deturpada de mim. Sempre pareço bravo e sério de mais, ou então infantil e brincalhão de mais, mas nunca pareço suficientemente acessível para que as pessoas sintam vontade de se aproximar de mim. Isso me isolou, e eu aprendi a viver nesse mundo triste. Mas sinto saudades de uma vida que nunca vivi.
Sei também dos movimentos políticos. Sei que pensadores influenciaram que revoluções, e sei que inimigos se aliaram ou se destruíram. Entendo por que os subsídios serão mantidos, por que os ricos brasileiros não são presos, por que a poluição vai destruir o mundo. Mas não concordo. Me frustro em pensar que tudo poderia ser diferente, e passo minutos pensando em soluções simples, que envolveriam apenas um pouco de humanidade.
Sou um homem renascentista, que sabe sobre muito. Não tenho medo de aprender, de buscar, de entender, de desvendar. Mesmo quando o problema não pode ser solucionado, não me canso em passar horas pensando em como amenizar suas desvantagens. Sinto um certo prazer ao resolver coisas complicadas, como se, de alguma forma, meu mérito intelectual se fizesse valer, mesmo que de forma pessoal.
Assim, sou uma pessoa cheia de conhecimento. Além disso, sou exímio usuário dos portais de busca e de distribuição de informação. Não sou nenhum gênio, mas tenho conhecimento suficiente para me destacar em meu curso. As vezes, me sinto como um dos poucos a entender com o que cada aluno de minha turma trabalha, e me sinto um dos poucos a poder discutir assuntos variados e não relacionados.
Mas, ainda sim, me sinto sem poder nenhum.
Aqueles que tem poder, tem conhecimento. Aqueles que tem conhecimento, no entanto, não necessariamente tem poder.
Saio me sentindo um tolo. Minhas qualificações não se escrevem em currículos (há, que tipo de empresa contrataria uma pessoa que sabe sobre todas as coisas, mas por ser autodidata, não é considerado qualificado?), e minhas aspirações não interessam aos outros. Saio como um medíocre universalista que não consegue ter uma ideia de como vai se manter no mercado de trabalho.
Quem sou eu
- Calliban
- Mestre do Jogo. Pois alguém precisa levar a frente essa bobagem toda.